Venezuela assume fábrica da Kellog um dia depois de a empresa encerrar operações
CARACAS - O governo venezuelano anunciou nesta quarta-feira que reativou a fábrica da Kellogg, um dia depois de ter assumido seu controle porque a empresa americana decidiu encerrar as operações devido à crise econômica.
- Sem qualquer notificação, a empresa decidiu fechar as portas, deixando seus 570 trabalhadores na incerteza. Os trabalhadores da Kellogg decidiram reativar a fábrica a partir de hoje - disse o governador do estado de Aragua, Rodolfo Marco Torres, acompanhado pelos funcionários.
Segundo ele, os trabalhadores garantiram que a fábrica - situada na cidade de Maracay, a 130 quilômetros de Caracas - conta com “matéria-prima suficiente para uma produção de aproximadamente três meses”.
- Para abastecer o povo. Dizemos à Venezuela e ao mundo: aqui está a classe operária unida, comprometida em produzir alimentos para o povo - afirmou.
Na terça-feira, o presidente Nicolás Maduro denunciou que o fechamento da Kellogg tem como objetivo “Assustar o povo” antes das eleições presidenciais de domingo, quando tentará se reeleger e cujos resultados não serão reconhecidos pelos EUA, União Europeia e vários países latino-americanos.
A Kellogg atribuiu o encerramento das operações “à deterioração da situação econômica”, caracterizada pela escassez de alimentos, medicamentos e matérias-primas, e uma hiperinflação qe, segundo o FMI, deve chegar a 13.800% neste ano.
As atividades da Kellogg foram reativadas, apesar de a empresa ter afirmado na terça-feira que a distribuição de seus produtos e o uso de sua marca estavam suspensos.
- Estamos vistoriando os armazéns, calibrando o maquinario - disse Marco Torres, junto com um trabalhador que comemorou a medida.
O fechamento da Kellogg soma-se a de outras multinacionais nos últimos anos, como as americanas General Motors, Kimberly-Clarck e Clorox.
A Kimberly-Clarck também sofreu intervenção do governo venezuelano depois de anunciar o encerramento de suas operações, em junho de 2017, adotando o nome de um guerreiro indígena: Fábrica produtica Cacique Maracay.
Além da hiperinflação, escassez de moeda monopolizada pelo Estado e o controle de preços, fazem parte de um coquetel que asfixia as empresas privadas, segundo especialistas.
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