1. Dependência do petróleo
O petróleo responde sozinho por 96% das exportações da Venezuela. Durante
a presidência de Hugo Chávez, entre 1999 e 2013, o governo conseguiu
financiar diversos programas sociais que reduziram a pobreza e a
desigualdade no país graças à bonança do petróleo, cujo valor atingira preços
recordes no período.
No entanto, a queda recente no valor do barril de petróleo, que caiu de 120
dólares em 2008 para menos de 50 dólares a partir de 2014, afetou em cheio a
economia venezuelana. Sem essa fonte de recursos, o governo perdeu a
capacidade de importar muitos itens de necessidade básica e reduziu os
investimentos sociais. Em uma economia mais diversificada, o país não ficaria
tão vulnerável à flutuação do preço do petróleo.
2. O controle de preços
Uma outra ação tomada ainda durante o período do governo Chávez impediu o
desenvolvimento de um setor empresarial mais dinâmico: o controle de preços.
Adotado inicialmente como medida paliativa para conter a inflação e garantir
que a população mais pobre tivesse acesso a produtos essenciais, o
congelamento se prolongou por muitos anos sem resolver o problema.
Pior: a medida acabou desestimulando os investimentos da iniciativa privada,
uma vez que, em muitas situações, os itens acabavam sendo vendidos a
preços inferiores aos custos de produção. Consequentemente, os produtos
sumiram das prateleiras, gerando a atual crise de abastecimento.
3. O controle sobre o câmbio
O controle do Estado sobre o câmbio, adotado desde 2003 com o objetivo
inicial de impedir a fuga de dólares do país e controlar a inflação, também
desestruturou a economia. Esse complexo sistema funciona assim: o governo
mantém duas taxas de câmbio, uma delas com a cotação do dólar mais barata
para ser utilizada apenas na importação de insumos de primeira necessidade.
O problema é que boa parte desses dólares é desviada ilegalmente por
militares e membros do governo, que os revendem no mercado paralelo, cuja
cotação chega a ser 100 vezes maior que o câmbio oficial. Essa medida não
apenas alimenta a corrupção, como provoca uma escassez de moeda
estrangeira que deveria ser utilizada para os investimentos no setor produtivo,
agravando o problema de abastecimento.
4. A tensão política
A polarização política no país também produz seus efeitos na economia. A
tensão entre governo e oposição praticamente paralisa o país e impede adoção
de medidas necessárias para superar a crise. Enquanto o governo prioriza a
manutenção do poder em vez de privilegiar ações de estímulo econômico, a
oposição se faz valer da crise para obter ganhos políticos. Maduro acusa os
líderes oposicionistas de cooptar empresários para reter os seus produtos e
agravar o desabastecimento dos supermercados.
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